O ouro levado do terminal de Guarulhos estava em barras, lacrado e com destino certo: voos internacionais rumo a compradores no exterior. A carga pertencia a mineradoras que operam no Brasil e passava pelo armazém como passa toda exportação de metal precioso, sob guarda de empresa especializada em transporte de valores.
O valor divulgado na época ficou perto de R$ 120 milhões. O número subiu desde então com a cotação do metal. O peso, mais de 700 quilos, cabe na caçamba de uma caminhonete comum. Em ouro, uma fortuna inteira se move com dois homens e um carrinho de carga.
O terminal de cargas do Aeroporto Internacional de Guarulhos é o maior do país em volume de carga aérea. Por ali passam remédios, eletrônicos, peças de máquina e, em dias marcados, metal precioso. A movimentação de valores segue protocolo: horário combinado, escolta, conferência e cofre.
No dia do roubo, segundo a reconstrução da polícia divulgada pela imprensa, os veículos falsos entraram pela área de acesso de veículos do terminal. Os homens usavam roupas e acessórios no padrão da Polícia Federal. O funcionário, recrutado pela quadrilha e depois condenado com ela, acompanhava o grupo.
Dentro do armazém, a ação foi curta. Os ladrões renderam funcionários, foram ao ponto onde a carga aguardava o embarque e carregaram as caixas. Câmeras gravaram parte da ação; as imagens mostram homens calmos, sem pressa aparente, como numa diligência de rotina. Quem trabalhava perto viu policiais em serviço e seguiu com o próprio turno, sem motivo aparente para desconfiar de colete e distintivo.
O que a investigação apurou
A Polícia Civil de São Paulo assumiu o caso e, nas semanas seguintes, anunciou prisões de suspeitos ligados à execução, ao planejamento e à logística. A investigação concluiu que o grupo conhecia a rotina do terminal com detalhe: o horário da carga, o lugar do lote e o caminho de saída. O desenho indicava informação vinda de dentro.
Os presos passaram a responder por roubo, associação criminosa e extorsão mediante sequestro, pela família feita refém. Os processos correram na Justiça paulista ao longo dos anos seguintes, com réus de papéis diferentes no plano. Uns teriam dirigido, outros vigiado a família, outros desenhado a entrada. A polícia trabalhou com a hipótese de um núcleo maior, com financiador e comprador do metal, nem todos alcançados.
Nenhuma busca, porém, encontrou o metal. Endereços foram vasculhados, veículos periciados e contas investigadas, e o ouro não apareceu em nenhum deles. As mineradoras registraram a perda, e o lote de exportação saiu da estatística do aeroporto como carga roubada.
Houve prisões e processos; nenhuma barra voltou ao cofre.
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