Os 29 mortos do Massacre da Terra Roosevelt eram garimpeiros, homens vindos de cidades de Rondônia e de outros estados do Norte e do Centro-Oeste, atraídos pelo diamante. Os corpos passaram pela perícia oficial depois do resgate; a lista completa de nomes, idades e cidades de origem não foi divulgada pelas autoridades de forma consolidada.
Os corpos apareceram em grupos, em trechos de mata e perto de cursos d'água dentro da reserva. A retirada levou dias e exigiu apoio aéreo, porque o acesso por terra ao garimpo dependia de estradas precárias, abertas pelos próprios garimpeiros e quase intransitáveis na chuva.
A Terra Indígena Roosevelt pertence ao território Cinta Larga, povo contatado pelo Estado brasileiro nos anos 1960, em meio à abertura de estradas e ao avanço da colonização em Rondônia. A reserva guarda uma das maiores jazidas de diamante conhecidas no país, sob terra que a União demarcou para uso exclusivo dos indígenas.
O garimpo da reserva não era pequeno. Na fase de maior movimento, as cavas ocupavam margens de igarapés inteiros, com balsas, dragas e motores ligados dia e noite. A pedra de melhor qualidade ia para fora do estado em poucos dias, e a renda ficava com quem financiava a entrada dos homens e comprava a produção na cidade.
Depois das mortes, o governo federal reforçou a presença da Polícia Federal e da Funai (Fundação Nacional do Índio, hoje Fundação Nacional dos Povos Indígenas) na região, e o garimpo foi fechado. Relatos de extração clandestina dentro da reserva voltaram a aparecer nos anos seguintes, em operações policiais e em reportagens.
Para as famílias dos garimpeiros, o resgate foi a última notícia oficial com data. Parentes viajaram a Espigão d'Oeste para reconhecer corpos e voltaram para casa sem prazo de julgamento, sem lista pública dos acusados e sem informação regular sobre o andamento do processo federal.
Em que pé o caso está em cada esfera
Na esfera penal, a Polícia Federal concluiu o inquérito e indiciou indígenas Cinta Larga por homicídio qualificado. O Ministério Público Federal ofereceu denúncia pelo mesmo crime na Justiça Federal de Rondônia. Crime doloso contra a vida vai a júri popular, e o júri deste caso não aconteceu até hoje; em 2025, a Justiça Federal em Vilhena impronunciou 22 dos 23 indígenas acusados e mandou um a júri.
Na esfera civil, não foi divulgada indenização paga às famílias dos garimpeiros, nem pela União nem por qualquer acusado.
Na esfera administrativa, não foi divulgada punição a servidor da Funai ou da Polícia Federal pela permanência do garimpo na reserva nos anos anteriores às mortes.
Na esfera trabalhista, não há disputa conhecida: os garimpeiros trabalhavam sem contrato, em atividade proibida.
Quem responde pelo quê:
• Indígenas denunciados: 22 impronunciados; um aguarda júri.
• Compradores de diamante: sem acusação divulgada.
• União e Funai: sem decisão sobre omissão.
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