In partnership with

Crime Aberto   Crime Aberto
ED 160
{{saudacao | Bom te ver por aqui.}} {{saudacao_nome | }}
              
{{ofensiva_curta | comece hoje}}
Ver ofensiva →

O caso de hoje foi escolhido pela maioria dos leitores na votação de ontem.

{{subiu_orn | }} {{subiu_num | }} {{subiu_orn | }}

{{subiu_caps | }}

{{subiu_linha | }}

Muzema: 2 prédios sem licença e 24 vidas

Rio de Janeiro · Muzema, Itanhangá · 12 de abril de 2019

Escombros de prédio residencial desabado em encosta, com casas inacabadas ao redor

Condomínio Figueiras do Itanhangá, Muzema

▼

RESUMO PRELIMINAR

Dois prédios sem licença desabaram na Muzema, Zona Oeste do Rio, em 12 de abril de 2019, com 24 mortos; a obra estava embargada desde 2018 e nenhum agente público foi denunciado.

2018: fiscais da prefeitura do Rio de Janeiro notificam obras no Condomínio Figueiras do Itanhangá, na comunidade da Muzema, Zona Oeste da cidade, vizinha a Rio das Pedras. A prefeitura informaria depois ter embargado as construções, isto é, dado a ordem para parar a obra.

12 de abril de 2019, por volta das 6h30: dois prédios residenciais desse condomínio desabam com famílias dormindo dentro. É o Desabamento da Muzema. Ao fim das buscas, o Corpo de Bombeiros conta 24 mortos, entre eles crianças.

Os dois prédios não tinham projeto aprovado nem licença. Subiram depois da notificação, andar por andar, e os apartamentos foram vendidos a famílias que pagaram à vista ou em parcelas a quem se apresentava como dono do terreno.

Dias seguintes ao 12 de abril: bombeiros e voluntários removem escombros com as mãos, com máquinas pequenas e com cães farejadores, porque as ruas estreitas da comunidade não comportam equipamento pesado. Sobreviventes saem com fraturas e contam ter ouvido estalos nas paredes nas semanas anteriores.

Ainda em abril de 2019: o então prefeito Marcelo Crivella diz à imprensa que a área era dominada pela milícia, o grupo armado formado por policiais, ex-policiais e civis que controla território e cobra por serviços, do gás ao lote de terra.

Ao longo de 2019: a Polícia Civil aponta construtores e vendedores dos imóveis como ligados a esse grupo, e o Ministério Público do Rio de Janeiro os denuncia. Nenhum fiscal, gestor ou secretário municipal entra na acusação.

Desde então, o caso responde a uma pergunta só: por que uma obra que a própria prefeitura mandou parar ficou de pé até cair.

Daqui em diante, a edição mostra como um prédio de milícia sobe e onde o processo está hoje, segue o embargo de 2018 até o ponto onde ele parou e termina na engrenagem que deixa esse tipo de obra de pé até o dia em que cai.

Continue lendo ↓

 

Quem banca a edição de hoje

A Single Typo Shouldn’t Cost You a Sale

A shopper types “running shos” and gets nothing back. Another types “red waterprof trail runners under $150” and hits the same wall. Both knew what they wanted.

Traditional site search relies on exact keyword matching, leaving shoppers stranded at “0 results found” screens.

Gladly understands what shoppers mean, typos and all. Instead of a dead end, they get products that fit what they asked for and a conversation that keeps them shopping.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

I  O Caso

Apartamento vendido sem escritura

Na Muzema, a construção seguia um roteiro conhecido da polícia. O grupo ocupava ou loteava um terreno, muitas vezes em área de proteção ambiental, levantava a estrutura com mão de obra própria e vendia os apartamentos antes do acabamento. O comprador recebia um contrato de gaveta, documento particular sem registro em cartório, e nenhum habite-se, a licença municipal que libera o imóvel para moradia.

Sem licença, não havia projeto estrutural aprovado nem engenheiro responsável conhecido pela prefeitura. O cálculo de fundação, o tipo de concreto e o número de andares ficavam a cargo de quem construía. Prédios de quatro, cinco ou seis andares subiam sobre base pensada para casas térreas, em terreno úmido próximo de rio e de encosta.

O preço atraía. Um apartamento na Muzema custava uma fração de um imóvel regular na vizinha Barra da Tijuca, e a venda aceitava parcelas sem banco nem análise de crédito. Famílias de trabalhadores da região, porteiros, cozinheiras e motoristas, compraram ali a primeira casa própria.

A venda não encerrava a relação. Os moradores pagavam ao grupo taxas mensais de água, gás e internet, cobradas como condomínio. Quem atrasava recebia visita, e quem reclamava de rachadura não tinha a quem recorrer, porque o contrato não valia em cartório e o vendedor era quem mandava na rua.

A chuva entrou na investigação como agravante. Nos dias 8 e 9 de abril de 2019, um temporal alagou ruas e derrubou encostas em vários bairros do Rio, e o solo da Muzema ficou encharcado três dias antes da queda. A água pesou sobre uma fundação que já não tinha margem para receber esse peso.

Na manhã do dia 12, um dos prédios cedeu primeiro e caiu sobre o vizinho. Quem estava nos andares de baixo teve menos chance. O resgate durou dias porque cada laje precisava ser escorada antes de a equipe avançar, para que o resto da estrutura não desabasse sobre os bombeiros.

Depois do desabamento, a Delegacia de Homicídios da Capital assumiu a investigação. O inquérito tratou a queda como resultado de obra feita sem técnica e sem licença por quem sabia do risco. A chuva ficou fora da lista de causas.

Onde o caso está hoje

Na esfera penal, o Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou em 2019 os apontados como construtores e vendedores por homicídio com dolo eventual (quando o autor não quer a morte, mas assume o risco de causá-la), uma acusação para cada uma das 24 vítimas. Pela tese, o caso vai ao Tribunal do Júri. Até o fechamento desta edição, não foi divulgada sentença.

Na esfera civil, famílias de vítimas e sobreviventes movem ações de indenização, e o desfecho dessas ações não foi divulgado. Na esfera administrativa, a prefeitura demoliu outros prédios irregulares da região nos anos seguintes. Nenhum servidor municipal foi denunciado, e a edição não localizou processo disciplinar divulgado contra fiscal ou gestor.

Quem responde pelo quê, e onde:

• Construtores: denunciados em 2019

• Vendedores: denunciados em 2019

• Milícia local: apontada pela polícia

• Prefeitura do Rio: nenhuma acusação

• Fiscais municipais: nenhuma acusação

Vinte e quatro pessoas morreram em prédios embargados no papel, e a acusação parou em quem construiu.

 
 

II  A Falha

A ordem para parar que ninguém cumpriu

A falha tem documento e data. Em 2018, a prefeitura notificou e embargou as obras do condomínio, com base na legislação urbanística municipal, que permite mandar parar, multar e demolir construção sem licença. Em 12 de abril de 2019, os prédios embargados desabaram. Entre uma ponta e outra, a obra continuou.

Depois da queda, a prefeitura sustentou ter cumprido o seu papel ao embargar. O embargo, porém, é só o primeiro degrau. Para valer, ele precisa de fiscal que volte ao local, de multa cobrada de alguém com nome e CPF e, se a obra continuar, de demolição com apoio policial. Na Muzema, nenhum desses passos seguintes foi divulgado antes do desabamento.

O fiscal municipal trabalha desarmado. Entrar em área controlada por milícia exige escolta da Polícia Militar, agendada e negociada com o comando do batalhão. Demolir exige máquina, equipe e, muitas vezes, decisão judicial. Cada passo depende de um órgão diferente, e nenhum deles tem prazo para agir depois do embargo.

A multa tinha um problema próprio. A notificação vai para o responsável pela obra, e numa construção sem registro o responsável não aparece em documento nenhum. O papel fica em nome do terreno, e o terreno muitas vezes é área pública ou de dono que não mora ali.

A região não era desconhecida do Estado. Em 2008, o relatório final da CPI das Milícias da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro já citava Rio das Pedras, vizinha da Muzema, como território dominado por milícia. Onze anos depois, o mapa do poder público ainda tratava cada obra da área como caso isolado de fiscalização urbana, sem ligar a obra ao grupo armado que a vendia.

Onde a fiscalização parou

1. Na notificação: feita em 2018, sem retorno conhecido.

2. Na multa: endereçada a responsável sem registro.

3. Na demolição: não executada antes da queda.

Os compradores não sabiam do embargo. O contrato de gaveta não passava por cartório, e nenhum aviso público na obra informava que a prefeitura tinha mandado parar. Quem pagou pelo apartamento só soube da notificação depois que o prédio caiu.

Depois de abril de 2019, a resposta mudou de ritmo. A prefeitura interditou outros prédios da Muzema e passou a derrubar construções irregulares da região com apoio da polícia, a mesma operação que não aconteceu antes da queda. O caminho existia e tinha ferramenta; faltou usá-lo enquanto as famílias ainda não moravam lá.

A prefeitura sabia da obra um ano antes, e o embargo nunca saiu do papel.

 

Quem banca a edição de hoje

Silver Has Beaten Gold Before. It's Doing It Again.

From 1974 to 1987, silver more than doubled gold's returns. After 2008, it beat gold five-fold in three years. Since March 2020, silver is up 402% against gold's 186%. Our research team's free playbook explains why, and how the team would position.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

III  O Sistema

A cidade que cresce sem alvará

A milícia carioca ganhou com o gás, o transporte alternativo e a taxa de segurança, e encontrou na construção uma renda maior e mais estável. Erguer prédio em terreno sem dono claro e vender apartamento sem escritura rende de uma vez, e o imóvel continua pagando em parcela, aluguel e taxa de condomínio cobrada pelo próprio grupo. Investigações do Ministério Público do Rio de Janeiro posteriores ao desabamento trataram a construção irregular como fonte de financiamento da milícia na Zona Oeste.

O direito penal alcança bem quem levantou a parede. Alcançar quem deixou de derrubá-la exige provar que o agente público tinha o dever de agir, podia agir e não agiu, e o Código Penal só pune essa omissão quando ela é ligada diretamente ao resultado. Com o fiscal sem escolta e a demolição sem data, cada servidor da cadeia aponta para o seguinte, e a responsabilidade se espalha até sumir. Assim, o processo da Muzema tem réus que construíram e nenhum réu entre os que fiscalizavam.

Duas saídas ficam com a cidade. Dar ao embargo prazo legal de demolição, com escolta policial obrigatória e servidor punido por não cumprir, mesmo que a prefeitura passe a responder em juízo por cada obra que deixar de pé, ou manter o embargo como ordem administrativa e apostar na repressão à milícia pela polícia e pelo Ministério Público, aceitando que prédios notificados sigam subindo até que alguém os derrube.

 
 
Quiz da edição

Qual acusação o Ministério Público do Rio de Janeiro apresentou contra os apontados como construtores e vendedores dos prédios da Muzema?

AHomicídio culposo por negligência na obra
BCrime ambiental por ocupação de área de proteção
CHomicídio com dolo eventual, uma acusação por vítima
DLesão corporal seguida de morte

Resultado da última edição: 67% acertaram.

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
 
 
Sua avaliação

Como foi a edição de hoje?

🔍🔍🔍🔍🔍  ótima 🔍🔍🔍🔍  boa 🔍🔍🔍  ok 🔍🔍  ruim 🔍  péssima
 
Escolha a edição de amanhã

Qual caso você quer ver amanhã?

Voto aberto até 29/10, 23h

A Explosão do VLS-1 →
B Ayrton Senna em Imola →
C Caso Lalau →
D Tráfico de rins em Recife →
 
 
Recomendação de Newsletter
Advogado Atualizado

Advogado Atualizado

A decisão que muda a sua prática, a ferramenta que economiza hora e a pauta da semana, em cinco minutos. No seu email todo dia às 07:07.

Quero receber →

 
Sua ofensiva
🔥 {{streak_atual | 0}} {{streak_titulo | Comece sua ofensiva hoje}} recorde {{streak_recorde | 0}}
Seus últimos 6 dias e hoje
{{ouro_linha | Cada edição vale 10 de ouro: voto, quiz e clique.}}

missão de hoje

📨 Mandar seu link pra 1 pessoa (1x por dia) +10
WhatsApp   Copiar link

Confirmou? +100 de ouro: entra no seu ouro à noite.

{{streak_cta | Começar minha ofensiva}}
{{rank_simbolo | Ⅰ}} {{rank_nome | Aprendiz}} · {{moedas | 0}} de ouro · loja e missões →

{{vip_linha | }}

 
Clímax da temporada

Maratona dos 7 dias finais

◆◆◆◆293031

Dia 5 de 7 · a temporada de outubro fecha 31/10

{{maratona_dias | 0}}
dias feitos
{{maratona_faltam | 6}}
pra fechar

Presença por clique, voto ou quiz. Sem folga na maratona: o seguro do mês cobre 1 dia.

Acompanhar minha ofensiva →

 

Caso encerrado. Veritas numquam perit.

CRIME ABERTO

Você entende onde a investigação falhou em cada crime sem solução.

💬 Receba pelo WhatsApp·✍️ Crie sua Newsletter
📚 Leia o acervo completo