Lázaro Barbosa de Sousa nasceu em Barra do Mendes, no interior da Bahia. Em 2007, aos 18 anos, foi apontado pela polícia baiana como autor de dois homicídios na cidade natal. Foi preso, fugiu e passou a circular entre Goiás e o Distrito Federal.
No Distrito Federal acumulou condenações por estupro, roubo e porte ilegal de arma. Cumpria pena no Complexo Penitenciário da Papuda, sumiu em 2016 e, recapturado em Águas Lindas de Goiás, fugiu do presídio de lá em 2018, segundo a polícia do DF à imprensa. A partir dali, constava como foragido, com mandado de prisão em aberto.
A chácara do Incra 9 fica num trecho de estrada de terra, a poucos quilômetros da divisa com Goiás. Na madrugada do ataque, os três homens da família foram mortos dentro de casa. Cleonice foi levada a pé pela mata. Quando os vizinhos acionaram a polícia, o agressor já tinha atravessado a divisa.
A identificação veio rápido. A Polícia Civil do DF associou o ataque a Lázaro por impressões e imagens de câmeras da região, e a Polícia Civil de Goiás o ligou a outras invasões de chácaras nos dias anteriores. A partir de 10 de junho, o nome e a foto dele estavam em todos os telejornais.
As buscas se concentraram em Cocalzinho de Goiás, município de cerrado fechado, grotas e córregos, com centenas de chácaras isoladas. Lázaro conhecia a região. Durante os 20 dias, invadiu casas, trocou tiros com policiais, feriu um agente e fez reféns, segundo os boletins diários da força-tarefa.
Duas pessoas foram presas por suspeita de ajudá-lo: o fazendeiro Elmi Caetano Evangelista, em cuja propriedade a polícia disse ter achado rastros, e o caseiro Alain Reis de Santana. Elmi foi autuado por posse ilegal de arma de fogo, e as suspeitas de que tivesse dado abrigo ao foragido não resultaram em condenação divulgada.
Em 28 de junho de 2021, policiais cercaram Lázaro numa área de mata em Águas Lindas de Goiás. Pela versão da Secretaria de Segurança de Goiás, ele atirou primeiro. Foi levado ao hospital do município e declarado morto na chegada. O laudo cadavérico apontou dezenas de perfurações.
Os 20 dias deixaram rastro além da família Vidal. Pela contagem da força-tarefa divulgada à imprensa, houve casas invadidas em Cocalzinho e Edilândia, moradores feitos reféns por horas e carros levados para a fuga. Nenhum desses episódios chegou a gerar processo próprio contra Lázaro antes do confronto final.
Em que pé o caso está hoje em cada esfera
Na esfera penal, o inquérito do DF sobre as mortes de Cláudio, Gustavo, Carlos Eduardo e Cleonice terminou com a extinção da punibilidade pela morte do agente, prevista no artigo 107, inciso I, do Código Penal. Não houve denúncia nem pronúncia (a decisão do juiz que manda o réu a júri).
Sobre a morte do próprio Lázaro, a apuração de Goiás tratou o caso como confronto em legítima defesa. Não foi divulgada denúncia contra nenhum policial.
Na esfera civil, não foi divulgada ação de indenização dos parentes da família Vidal contra o Distrito Federal ou o Estado de Goiás.
Quanto a quem responde pelo quê: Lázaro, autor apontado pela polícia, teve a punibilidade extinta; Elmi foi autuado por posse de arma, sem condenação por favorecimento divulgada; os agentes do confronto não foram denunciados. Nenhum desses pontos passou por um tribunal do júri.
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