A Polícia Civil de São Paulo conduziu o inquérito a partir da madrugada em que o corpo saiu da água. Os investigadores ouviram calouros, veteranos e funcionários do clube. O retrato que saiu dos depoimentos foi de uma festa grande, escura e barulhenta, com centenas de pessoas e nenhuma testemunha disposta a apontar quem levou Edison até a borda.
Mesmo assim, o inquérito chegou a nomes. Quatro alunos veteranos da faculdade foram indiciados e, em seguida, denunciados pelo Ministério Público de São Paulo por homicídio. A tese da acusação era de que eles participaram de jogar calouros na piscina e assumiram o risco de que um deles não voltasse à superfície.
Os quatro sempre negaram ter empurrado Edison. A defesa sustentou que nenhuma prova ligava cada um deles ao calouro naquela noite, e que a denúncia tratava o grupo como um bloco. Os quatro seguiram no curso enquanto o processo andava, e a família de Edison acompanhou as audiências em primeira instância esperando um julgamento pelo júri, o tribunal popular que decide crimes contra a vida.
Do processo ao trancamento
A defesa levou o argumento ao Superior Tribunal de Justiça por habeas corpus (pedido para cessar um constrangimento ilegal). Em 2006, o STJ trancou a ação penal, isto é, mandou encerrar o processo antes do julgamento, por falta de justa causa (base mínima de prova para alguém virar réu). Com a decisão, os quatro deixaram a condição de réus sem nunca terem sentado diante de um júri.
O trancamento não declarou ninguém inocente. Ele afirmou que a acusação, do jeito que foi escrita, não podia seguir. Como a decisão reconheceu falta de base, e não absolvição, nada impedia nova denúncia com prova nova. Nenhuma foi apresentada nos anos seguintes, segundo o que veio a público. Para a família, a decisão teve o efeito prático de um ponto final: o processo acabou sem que uma única pergunta sobre a borda da piscina fosse respondida em plenário.
Em que pé está cada esfera
Na esfera penal, o caso está encerrado desde o trancamento de 2006, e o crime de homicídio prescreve em 20 anos pelo Código Penal. Na esfera civil, a família processou por indenização; valor e desfecho dessa ação não foram divulgados. Na esfera administrativa, a USP abriu sindicância (investigação interna de conduta); punição de aluno por ela não foi divulgada.
Em 2015, a Comissão Parlamentar de Inquérito da Assembleia Legislativa de São Paulo sobre violações de direitos humanos nas faculdades paulistas retomou o caso em audiência pública. A comissão ouviu ex-alunos e professores sobre trote e silêncio dentro da Medicina da USP, mas CPI não julga ninguém: o relatório final serve de recomendação, sem pena.
Quem responde pelo quê
• Quatro veteranos: denúncia por homicídio, trancada pelo STJ em 2006.
• USP: sindicância interna, resultado não divulgado.
• Atlética: dona do clube, sem condenação divulgada.
• Família: ação de indenização, desfecho não divulgado.
Houve inquérito, denúncia e quatro acusados; não houve julgamento.
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