Bruno Pereira coordenou a área de povos isolados da Funai até 2019, quando foi exonerado do cargo depois de comandar uma operação contra garimpo ilegal no Javari. Pediu licença e passou a trabalhar com a Univaja. Ensinava os vigilantes indígenas a registrar, com GPS e câmera, a entrada de pescadores e caçadores ilegais.
Na véspera do sumiço, em 4 de junho, um barco com homens armados passou pela equipe de vigilância perto da base da Funai no rio Ituí, segundo a Univaja. Um deles era Amarildo da Costa Oliveira, pescador conhecido na região como Pelado.
No domingo, Bruno e Dom pararam em São Rafael para conversar com um líder comunitário que não estava em casa. Seguiram viagem às seis da manhã. Testemunhas viram um barco sair logo atrás. Na segunda, a Univaja comunicou o desaparecimento às autoridades e iniciou as buscas por conta própria.
Em 7 de junho, Amarildo foi preso em flagrante por posse de munição de uso restrito e droga, sem ligação formal com o sumiço naquele momento. A Polícia Federal achou vestígios de sangue no barco dele, depois analisados por perícia.
Em 12 de junho, bombeiros e indígenas localizaram, presa num tronco no rio, uma mochila com roupas de Dom, um notebook e um cartão de saúde de Bruno. Em 14 de junho, o irmão de Amarildo, Oseney da Costa de Oliveira, conhecido como Dos Santos, foi preso.
Em 15 de junho, Amarildo confessou participação e levou os policiais ao local onde os corpos estavam enterrados. A Polícia Federal informou que os dois foram atingidos por tiros de arma de caça. A perícia federal confirmou a identidade de Dom em 17 de junho e a de Bruno no dia seguinte. Em 18 de junho, Jefferson da Silva Lima, o Pelado da Dinha, se apresentou à polícia.
O motivo apontado pela Polícia Federal é a pesca ilegal. Bruno fotografava os barcos que entravam na terra indígena, e as imagens chegavam à Funai e ao Ibama. Para quem vivia de tirar pirarucu do Javari, o trabalho dele significava apreensão e prejuízo.
Em que pé o caso está hoje em cada esfera
Na esfera penal, o Ministério Público Federal denunciou Amarildo, Oseney e Jefferson em julho de 2022 por duplo homicídio qualificado e ocultação de cadáver. A Justiça Federal em Tabatinga pronunciou os réus (decisão do juiz que manda o acusado a júri popular), mas o TRF1 tirou Oseney do júri em setembro de 2024, e o júri de Amarildo e Jefferson foi transferido para Manaus em fevereiro de 2026. O júri não havia sido realizado até a informação pública mais recente.
Em junho de 2023, a Polícia Federal concluiu o inquérito e indiciou o comerciante Rubén Dario da Silva Villar, conhecido como Colômbia, como mandante, além de outras pessoas por ocultação dos corpos. Colômbia foi preso em julho de 2022 por uso de documento falso, solto sob fiança e preso de novo em dezembro de 2022 por descumprir as condições.
Na esfera civil e administrativa, não foi divulgada sentença de indenização às famílias contra a União nem punição a servidor pela segurança da equipe.
Quanto a quem responde pelo quê: Amarildo e Jefferson são réus por homicídio e ocultação, com pronúncia mantida e júri transferido para Manaus; Oseney foi tirado do júri; Colômbia foi indiciado pela Polícia Federal como mandante, denunciado pelo Ministério Público Federal em junho de 2025 e pronunciado a júri em junho de 2026.
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