Quatro das sete vítimas estavam no micro-ônibus da linha que cruzava a Rua Capri naquela tarde. O motorista, Reinaldo Aparecido Leite, e o cobrador, Wescley Adriano da Silva, trabalhavam no veículo. Com eles viajavam passageiros que voltavam do trabalho ou seguiam para casa, sem nenhuma relação com a obra ao lado.
As outras vítimas estavam na rua ou perto dela. Abigail Rossi de Azevedo, aposentada, caminhava pela calçada. Também morreram Valéria Alves Marmit, Francisco Sabino Torres, Márcio Alambert e Cícero Augustino da Silva. Só uma das sete pessoas, o motorista de caminhão Francisco Sabino Torres, trabalhava no canteiro da Linha 4.
A cratera engoliu terra, asfalto e veículos de uma vez. Por isso o resgate demorou: cada metro escavado pelos bombeiros podia provocar novo deslizamento das bordas, e as equipes trabalharam com escoramento, máquinas e cães farejadores durante semanas.
O governo do estado era chefiado por José Serra, que tinha tomado posse doze dias antes. A Companhia do Metropolitano de São Paulo era a dona da obra; o Consórcio Via Amarela, a responsável pela escavação. Nos primeiros dias, as duas partes falaram em fatalidade geológica e prometeram apurar a causa.
A apuração técnica ficou com um instituto estadual de pesquisa, contratado para examinar o projeto, os registros de escavação e os dados dos instrumentos instalados no túnel. O laudo saiu em 2008 e descartou a tese de acidente imprevisível: apontou erros de projeto, de execução e de acompanhamento da obra.
A Rua Capri levou meses para voltar a ter trânsito. Moradores que deixaram as casas contaram ter visto rachaduras nas paredes e ouvido estalos no chão dias antes do colapso, relatos que entraram nos autos ao lado dos números dos instrumentos. Parte das casas foi demolida, e a rua ganhou outro desenho quando a estação ficou pronta.
Em que pé o caso está em cada esfera
Na esfera penal, o Ministério Público denunciou funcionários do consórcio e do Metrô por desabamento com resultado de morte, na modalidade culposa (sem intenção de causar as mortes). O processo correu na Justiça paulista e terminou sem condenação de nenhum dos réus.
Na esfera civil, o consórcio fechou acordos de indenização com as famílias das vítimas e com moradores que perderam ou deixaram as casas da Rua Capri. Os valores individuais não foram divulgados de forma completa.
Na esfera administrativa, em 2024 a Justiça condenou por improbidade, em primeira instância, o ex-presidente do Metrô e engenheiros da fiscalização, e o contrato com o consórcio seguiu até a entrega da linha.
Na esfera trabalhista, não há disputa conhecida ligada às sete vítimas.
Quem responde pelo quê:
• Consórcio Via Amarela: acordos civis com as famílias.
• Engenheiros e técnicos denunciados: sem condenação.
• Companhia do Metropolitano: ex-presidente e engenheiros condenados por improbidade em 2024, em primeira instância.
• Estado de São Paulo: nenhuma sentença sobre a culpa.
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