Ayrton Senna da Silva, piloto paulistano campeão mundial em 1988, 1990 e 1991, morreu em 1 de maio de 1994 depois de bater no muro da curva Tamburello, em Imola, com o Williams FW16. O inquérito aberto pelo procurador Maurizio Passarini apurou homicídio culposo (omicidio colposo, a morte sem intenção causada por negligência, imprudência ou imperícia).
O corpo chegou a São Paulo em 4 de maio. O governo federal decretou três dias de luto oficial, e o velório na Assembleia Legislativa paulista reuniu uma fila de quilômetros antes do enterro no Cemitério do Morumby, em 5 de maio.
A perícia da Procuradoria desmontou o carro apreendido. Os peritos encontraram a coluna de direção, o eixo que liga o volante à caixa de direção, partida em dois pedaços. A pergunta do processo era se ela tinha quebrado antes da curva, e levado o carro reto, ou na batida, como consequência do impacto.
A denúncia levou seis homens a julgamento na Pretura de Imola, o tribunal de primeiro grau da cidade. Três vinham da equipe: Frank Williams, dono da Williams, Patrick Head, diretor técnico, e Adrian Newey, projetista-chefe. Três vinham da pista: Federico Bendinelli, diretor do autódromo, Giorgio Poggi, responsável pelo circuito, e Roland Bruynseraede, diretor de prova da FIA, a federação internacional do automobilismo.
O julgamento começou em fevereiro de 1997. Em dezembro do mesmo ano, o juiz Antonio Costanzo absolveu os seis. Para a sentença, a acusação não provou que a coluna rompeu antes da batida.
O Ministério Público recorreu só contra Head e Newey. Em novembro de 1999, a Corte de Apelação de Bologna confirmou a absolvição dos dois. Em janeiro de 2003, a Corte de Cassação, a última instância da Justiça italiana, anulou a decisão e mandou o caso a novo julgamento em Bologna.
Em maio de 2005, a Corte de Apelação de Bologna absolveu Newey e declarou prescrito o crime atribuído a Head. Em abril de 2007, a Cassação encerrou o processo. A decisão afirma que o acidente foi causado pela ruptura da coluna de direção, provocada por uma modificação mal projetada e mal executada, e atribui a Head a responsabilidade por não ter controlado o trabalho. O crime já estava extinto pela prescrição.
Onde o caso está hoje
Na esfera penal, o processo terminou na Cassação em 2007, sem condenação e sem recurso possível. Na civil, nenhuma ação de indenização da família Senna contra a Williams foi divulgada. Na esportiva e administrativa, a FIA não puniu a equipe. Na trabalhista, não houve processo divulgado.
Quem respondeu pelo quê, e onde:
• Patrick Head: culpa reconhecida, prescrita
• Adrian Newey: absolvido em Bologna, 2005
• Frank Williams: absolvido em Imola, 1997
• Os três da pista: absolvidos em 1997
A culpa de Head foi escrita pela Cassação em 2007. A pena dependia de uma sentença dentro do prazo, e o prazo já tinha vencido em 2005.
A Justiça italiana concluiu que a peça quebrou antes do muro, e a conclusão chegou quando o crime já não podia ser punido.
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