O caso do helicóptero dos Perrella começou com uma apreensão em flagrante: em 24/11/2013, a Polícia Federal achou 445 quilos de pasta base de cocaína num helicóptero da Limeira Agropecuária, empresa da família do senador José Perrella de Oliveira Costa, o Zezé Perrella, então no PDT de Minas Gerais. Ninguém morreu nem sumiu; a droga, o voo e os presos estavam ali.
Segundo a Polícia Federal, a operação acompanhava o grupo havia semanas. A carga teria vindo do Paraguai, e o helicóptero fez o último trecho até a fazenda de Afonso Cláudio, onde a droga seguiria por terra. Os agentes esperaram o pouso para prender todos com a mercadoria.
Os quatro presos foram identificados no inquérito. Rogério Almeida Antunes pilotava, Alexandre José de Oliveira Júnior era o copiloto, e Robson Ferreira Dias e Everaldo Lopes de Souza aguardavam na fazenda. Os quatro ficaram presos em flagrante por tráfico de drogas.
Gustavo descreveu Rogério à imprensa como piloto de confiança da empresa, com acesso livre à aeronave e às rotas da fazenda da família em Minas. A chave estava com ele, e o plano de voo do domingo não passou pelo dono, segundo a mesma versão.
O vínculo do piloto com a família apareceu nos dias seguintes. Rogério ocupava um cargo comissionado no gabinete de Gustavo Perrella na Assembleia de Minas, e reportagens da época mostraram notas de combustível do helicóptero ressarcidas pela verba indenizatória do deputado, dinheiro público da Assembleia.
A verba indenizatória (o reembolso de gastos do mandato com dinheiro público) só cobre despesa ligada ao trabalho parlamentar. Combustível de um helicóptero privado pago por ela supõe que a aeronave servia ao gabinete, e o piloto do gabinete foi preso com a droga dentro dela.
Gustavo afirmou que emprestava a aeronave a Rogério para serviços da empresa e que o voo ao Espírito Santo não tinha autorização. Zezé Perrella disse que a família era vítima do piloto. Os dois negaram qualquer relação com a droga desde a primeira entrevista.
O sobrenome deu ao caso alcance nacional. Zezé Perrella presidira o Cruzeiro, um dos maiores clubes de Minas Gerais, e chegara ao Senado em 2011 como suplente de Itamar Franco, que faleceu no exercício do mandato. Gustavo, o filho, cumpria o primeiro mandato na Assembleia mineira.
Em que pé o caso está em cada esfera
Na esfera penal, os quatro presos foram denunciados por tráfico de drogas e associação para o tráfico, com base na Lei 11.343/2006. Em 19/12/2017, a Justiça Federal em Vitória condenou os quatro e o dono da fazenda, Elio Rodrigues, a penas de 8 anos e 8 meses a 10 anos e 8 meses de prisão.
Ainda na esfera penal, a Polícia Federal concluiu o inquérito sem indiciar Gustavo nem Zezé Perrella. Sem indiciamento e sem denúncia do Ministério Público, nenhum dos dois virou réu.
Na esfera administrativa, a Assembleia de Minas exonerou Rogério. Não foi divulgada apuração interna da Assembleia sobre o ressarcimento do combustível nem devolução dos valores.
Na esfera patrimonial, a Justiça liberou o helicóptero à Limeira Agropecuária, aceita como proprietária de boa-fé. Não foi divulgada ação civil nem processo no Conselho de Ética do Senado contra o senador.
Quem responde pelo quê:
• Rogério Antunes: ação penal, tráfico.
• Alexandre de Oliveira Júnior: ação penal, tráfico.
• Robson Dias e Everaldo de Souza: ação penal, tráfico.
• Gustavo e Zezé Perrella: sem indiciamento.
• Limeira Agropecuária: aeronave devolvida.
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